"Quando o ódio veste farda": o submundo das redes sociais de polícias e militares

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Em Curso "Quando o ódio veste farda": o submundo das redes sociais de polícias e militares

Mensagem por Croco Qua 16 Nov 2022, 18:59

PAÍS
"Quando o ódio veste farda": o submundo das redes sociais de polícias e militares

Quase 600 polícias e militares da GNR foram apanhados numa rede onde apelam à violência contra alegados criminosos, contra políticos, jornalistas e figuras públicas.


A SIC e o Consórcio de Jornalistas de Investigação tiveram acesso a uma base de dados onde consta o nome de 591 operacionais das forças de segurança.


Nos grupos fechados de Facebook, 296 polícias e 295 militares da GNR apelam à violência contra alegados criminosos, contra políticos, jornalistas e figuras públicas racializadas.


Estes quase 600 operacionais produzem mensagens racistas, xenófobas, homofóbicas, misóginas e defendem a extrema-direita e a figura de Salazar.


“Quando o ódio veste farda” é uma Grande Reportagem que entra no submundo das redes sociais de policias e militares da GNR.
https://sicnoticias.pt/pais/2022-11-16-Quando-o-odio-veste-farda-o-submundo-das-redes-sociais-de-policias-e-militares-ac6de014
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Em Curso Re: "Quando o ódio veste farda": o submundo das redes sociais de polícias e militares

Mensagem por dragao Qua 16 Nov 2022, 21:43

"Quando o ódio veste farda": 591 polícias praticam crimes nas redes sociais
591 operacionais da GNR e da PSP praticam crimes de ódio nas redes sociais. Estes representantes das forças de segurança integram uma base de dados a que o Consórcio de Jornalistas de Investigação portugueses, de que fazem parte a SIC e o Expresso, teve acesso. Nas mais de 3000 publicações desta base de dados, os polícias identificados violam a lei e os regulamentos internos das respetivas forças de segurança.

Mário Brites percorre as ruas de Antuérpia, na Bélgica, exibindo confiança. De mãos dadas com Maria, a nova companheira de quem voltou a aproximar-se, 30 anos depois, na última passagem por Portugal, Mário está onde quer estar. “Vim em 2014,” recorda. Depois dos problemas que tive com o polícia Luís Maria, em 2011, percebi que Portugal já não era para mim e decidi imigrar”.

Veio para Antuérpia desafiado por um amigo. “Falso amigo”, retifica. “Prometeu-me um emprego, mas quando cheguei, desapareceu. Tive de me desenrascar”, conclui.

Em Portugal vivia em casa emprestada, mas a miséria insistia em bater-lhe à porta. Os pouco mais de 600 euros que ganhava, em 2014, não chegavam para pagar a pensão de alimentos aos filhos, nem a prestação ao advogado, que contratara para o defender no processo que lhe tinha sido movido pelo agente da PSP da esquadra do Cacém, Luís Filipe dos Prazeres Maria.

Em 2011, um divórcio recente e a vida contada ao cêntimo, impediram Mário Brites de pagar o condomínio do prédio onde vivia. O administrador do condomínio e vizinho de Mário Brites, o agente da PSP Luís Maria, mandou executar a dívida. “Foi aí que tudo começou”, recorda. “O tribunal apreendeu-me os documentos e penhorou-me o carro. Nunca mais recuperei o carro. E o Luís Maria arranjou maneira de me prender; montou-me um cilada”, conclui, plenamente convencido de não ter sido forte o suficiente para fazer valer a versão dele. “Ele tinha os colegas da esquadra do Cacém. Foram eles que me levaram preso. Se não fosse a investigação da judiciária, tinha lá ficado dentro muitos anos”. O desabafo é fundo e não disfarça o alívio.

Mário Brites foi detido em 2011. Esteve preso cinco meses. “Fui acusado inocentemente da tentativa de homicídio ao agente Luís Maria”. O sol bate-lhe em cheio nos olhos verdes. As lágrimas que lhe correm pela cara são provocadas pelo impacto da luz, mas também pelo peso dessa memória. “Foram cinco meses, que para mim foram anos. Aquilo foi muito duro. Só pensava - o que é que tinha feito para estar ali ?” Mário engasga-se, atropela as palavras, quer dizer muita coisa de rajada.

A resposta à dúvida de Mário Brites foi dada pelo tribunal de Sintra, em agosto de 2011. O coletivo de juízes absolveu-o da prática de um crime de homicídio qualificado na forma tentada, de que vinha acusado e que lhe custara os tais cinco meses de cadeia.

A leitura do processo não deixa grande dúvidas. As provas da alegada tentativa de homicídio, que tinham convencido o juiz de instrução, revelaram-se, em julgamento, demasiado frágeis e Mário Brites foi libertado. “Quando ouvi dizer que estava livre, vim cá para fora e ajoelhei-me”, diz, levantando os braços para o ar, como se estivesse a reviver o momento.

Em 2011, um divórcio recente e a vida contada ao cêntimo, impediram Mário Brites de pagar o condomínio do prédio onde vivia. O administrador do condomínio e vizinho de Mário Brites, o agente da PSP Luís Maria, mandou executar a dívida. “Foi aí que tudo começou”, recorda. “O tribunal apreendeu-me os documentos e penhorou-me o carro. Nunca mais recuperei o carro. E o Luís Maria arranjou maneira de me prender; montou-me um cilada”, conclui, plenamente convencido de não ter sido forte o suficiente para fazer valer a versão dele. “Ele tinha os colegas da esquadra do Cacém. Foram eles que me levaram preso. Se não fosse a investigação da judiciária, tinha lá ficado dentro muitos anos”. O desabafo é fundo e não disfarça o alívio.

Luís Filipe dos Prazeres Maria é um dos 591 operacionais das forças de segurança que integram a base de dados construída por quatro investigadores digitais. Durante mais de um ano - e ajudados por polícias preocupados com o conteúdo das mensagens trocadas nos grupos fechados de Facebook por operacionais das forças de segurança – os quatro investigadores digitais identificaram 296 polícias e 295 militares da GNR.

Estão no ativo e agem online, a maioria assume o próprio nome. Pedem "uma limpeza seletiva". Dizem que há "tanta gente para abater". Insultam o Presidente da República, o primeiro-ministro e vários líderes partidários. Oferecem tiros, prometem mutilar pessoas, descrevem com detalhes sórdidos a violação sexual de uma jornalista. Chamam "raça indesejável" aos ciganos. Assumem-se como racistas.

Nas mensagens que partilha, Luís Maria valoriza a figura de Salazar, destila ódio contra os ciganos e enaltece o sargento Fahur, um antigo operacional da polícia militar brasileira e atual deputado federal. Entre outros pensamentos, Fahur afirma que “bandido bom é bandido morto”. Numa outra mensagem partilhada por Luís Maria, o autor quer recrutar um sniper “com experiência em ministros e presidentes”.

Mostrámos a Mário Brites a coleção de mensagens partilhadas por Luís Maria, que integram a base de dados. Deixámos para o fim o anúncio do recrutamento do sniper. “Ele partilha isso? Então o assassino, não sou eu. Um agente da PSP a partilhar isso? Ele devia era ter vergonha na cara”. À medida que a conversa se encaminha para o fim, Mário Brites vai dando fortes sinais de que a vingança se serve fria. A última frase de Brites é uma resposta à nossa pergunta: “Que mensagem quer deixar a Luís Maria, que irá certamente ler esta reportagem?” “Se for homem e tiver um pingo de vergonha na cara, que me peça desculpa”. Os olhos de Mário Brites brilham e não é por causa do sol. Na última frase, as lágrimas já estão secas e o sorriso preenche-lhe a cara.

Pedimos ao líder da Organização Sindical da Polícia, a OSP-PSP, sindicato de que Luís Maria é dirigente, que falasse com Luís Maria, solicitando-lhe que respondesse ao nosso apelo para um conversa. Pedro Carmo falou, mas nunca terá convencido Maria a contar-nos a sua versão dos factos.

A 25 de março de 2019, o Ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, elabora um despacho onde decide aplicar a pena de aposentação compulsiva ao agente Luís Filipe dos Prazeres Maria. “Foi tudo anulado”, garante-nos Pedro Carmo. O presidente da OSP-PSP esclarece que o advogado do sindicato conseguiu reverter a situação. “O Luís foi reintegrado e indemnizado”, regozija-se o amigo.

Vários agentes da PSP e militares da GNR que integram a base de dados usam o ex-ministro Eduardo Cabrita como autêntico saco de boxe. “Inútil de ministro. Teremos de tomar medidas mais radicais”, grita um dos polícias, identificados pelos investigadores digitais.

Francisca Van Dunem é outra das vítimas da difamação cometida por alguns destes policias. A antiga ministra da Justiça considera que o problema não deve ser desvalorizado. “Nós não estamos aqui a falar de liberdade de expressão. Há pessoas que, quando pertencem a certas instituições, têm de ter um discurso institucional. E se o discurso institucional dessas pessoas é esse, então é o discurso errado. Não estão no sítio certo…”

A mesma ideia é-nos transmitida por Anabela Cabral Ferreira, inspetora-geral da Administração Interna. “Definitivamente não queremos nas forças de segurança quem tenha ideias contrárias ao Estado de Direito.”

Esta juíza desembargadora, que tem poder disciplinar sobre as forças de segurança, explica que “as forças de segurança são autoridade do Estado, são expressão da soberania do Estado, por isso quem defenda ideias racistas, xenófobas, homofóbicas, não é bem vindo nas forças de segurança”.

Vários juristas que o Consórcio de Jornalistas de Investigação consultou consideram que os crimes praticados online por estes operacionais no ativo são claros: discriminação e incitamento ao ódio e à violência, ameaça com prática de crime, incitamento à desobediência coletiva, coação contra órgãos institucionais, instigação e apologia pública de um crime, incitamento à alteração violenta do Estado de Direito, ofensa à honra do Presidente da República, incitamento à desobediência coletiva, denegação de justiça e difamação, discriminação racial e religiosa.

A militar da GNR, que discorre sobre Bruno Candé, o ator negro assassinado a 25 de julho de 2020, pode ter incorrido num crime de discriminação racial. A militar, uma das 11 mulheres da base de dados, partilha uma notícia retirada do sítio online da CMTV, onde se afirma ter sido” lançada petição para atribuição de subsídio vitalício à família do ator Bruno Candé”. “Subsídios vitalícios?”, interroga-se a militar, “são para ser dados a pessoas que realmente precisam, não a parasitas da sociedade”. Mostrámos a mensagem a Olga Araújo, irmã do ator assassinado. Num tom sereno e pausado, Olga reage: “Nós não somos parasitas. Eu sou cozinheira, a minha mãe trabalhou a lavar loiça muitos anos, que até tinha feridas nas mãos. Temos orgulho de sermos negros, mas também temos orgulho de sermos portugueses. Quero responder diretamente [a essa militar da GNR]: Pense duas vezes antes de falar. Porque na família do Bruno Candé ninguém é parasita. E somos maioritariamente mulheres, trabalhamos nas limpezas, nas casas, nos lares de terceira idade. Que não digam isso”. Os olhos de Olga encheram-se de lágrimas, o queixo treme. Aos 53 anos, o rosto adquiriu, de repente, os contornos infantis da criança injustiçada.

Manuel Carlos Clero, o comandante-geral da GNR, força a que pertence a militar que injuriou a família de Bruno Candé, recusou dar-nos uma entrevista. Magina da Silva, diretor nacional da PSP, também optou pelo silêncio. O ministro que tutela as duas forças de segurança, o ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro, fez o mesmo.

Quem é escolhido para trabalhar na PSP ou na GNR aceita duas regras. A “subordinação ao interesse público” e a “defesa da legalidade democrática, da segurança interna e dos direitos fundamentais dos cidadãos, nos termos da Constituição e da lei”.

Esse foi o primeiro compromisso a ser quebrado por estes agentes da PSP e militares da GNR.

Alguns agentes da PSP, revoltados com a impunidade de que gozam os colegas que usam as redes sociais para organizar grupos racistas e violentos, forneceram os caminhos para a investigação. A entrada de novos membros em grupos fechados do Facebook só é autorizada a quem demonstrar que pertence à PSP ou à GNR, e foram esses agentes críticos que facultaram aos investigadores digitais as credenciais necessárias. O consórcio de jornalistas de investigação teve acesso a uma base de dados obtida dentro das próprias redes sociais. Através do trabalho dos investigadores digitais foi possível confirmar a identidade dos perfis. Sabemos quem são estes operacionais, sabemos a que esquadra ou quartel pertencem, sabemos que posto ocupam.

*com Cláudia Marques Santos e Ricardo Cabral Fernandes

https://sicnoticias.pt/programas/reportagemsic/2022-11-16-Quando-o-odio-veste-farda-591-policias-praticam-crimes-nas-redes-sociais-bf57e7f2
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Em Curso Re: "Quando o ódio veste farda": o submundo das redes sociais de polícias e militares

Mensagem por dragao Qua 16 Nov 2022, 22:04

MAI abre investigação a mensagens discriminatórias de agentes da polícia
16/11/22 21:38 ‧ HÁ 22 MINS POR TOMÁSIA SOUSA
Alegadas mensagens, enviadas por elementos das forças de segurança, "são de extrema gravidade", classifica a tutela.

Oministro da Administração Interna determinou hoje a abertura de um inquérito sobre a alegada publicação, por agentes das Forças de Segurança, de mensagens nas redes sociais com conteúdo discriminatório.

Em comunicado, o ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro, refere que determinou à Inspeção Geral da Administração Interna (IGAI) a abertura de um inquérito "imediato" para apuramento "da veracidade dos indícios contidos nas notícias de hoje sobre a alegada publicação, por agentes das Forças de Segurança, de mensagens nas redes sociais com conteúdo discriminatório, incitadoras de ódio e violência contra determinadas pessoas".

"Estas alegadas mensagens, que incluem juízos ofensivos da honra ou consideração de determinadas pessoas, são de extrema gravidade e justificam o caráter prioritário do inquérito agora determinado à IGAI", acrescenta a tutela.

[Notícia em atualização]

https://www.noticiasaominuto.com/pais/2114597/mai-abre-investigacao-a-mensagens-discriminatorias-de-agentes-da-policia
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Mensagem por zucatruca Qui 17 Nov 2022, 18:34

591 num universo de 50 mil...
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Mensagem por smelly Sex 18 Nov 2022, 10:13

assumo desde já o compromisso de reunir 591 prints de mensagens de ódio dirigidas aos Polícias nas redes sociais, e de os fazer chegar à redacção da SIC.
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Mensagem por Asensio Sex 18 Nov 2022, 10:45

Também as Tenho já
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Mensagem por COELHO.X Sex 18 Nov 2022, 14:30

smelly escreveu:assumo desde já o compromisso de reunir 591 prints de mensagens de ódio dirigidas aos Polícias nas redes sociais, e de os fazer chegar à redacção da SIC.
militar
Mas cheira me que irão ficar na gaveta por parte da SIC!! desorientado
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Mensagem por jmflince Sex 18 Nov 2022, 15:03

Só os polícias e guardas é que cometem crimes quando escrevem nas redes sociais e que leva a abertura de inquérito pelo ministério público! Então e os restantes utilizadores da Internet que se fartam de escrever ameaças contra os elementos políciais! Também houve abertura de inquérito ou investigação jornalística?????
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Mensagem por rafaelcardoso Sex 18 Nov 2022, 15:15

Posso arranjar alguns prints também! Eu já fui algo de algumas e não vi abertura de inquérito em lado nenhum.
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Mensagem por Tweety Sex 18 Nov 2022, 16:19

Calma.
Por enquanto para se ter um bom currículo para concorrer às forças de segurança, tem que se ter o registo criminal quase limpo.
No futuro, quando ninguém quiser vir  para cá, ter o registo criminal bem composto, significará currículo adequado para ser elemento das forças de segurança, digo eu...
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Mensagem por Tweety Sex 18 Nov 2022, 16:25

Mas que os há cá dentro, há, como em toda a administração pública, só que lá está, os elementos das forças de segurança têm que ser perfeitos, e para isso acontecer, só falta trabalharem de borla, pois actualmente têm um salário milionário...
Com isto se desviam as atenções do que realmente importa, mas enfim...
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Mensagem por dragao Qua 30 Nov 2022, 23:05

IGAI, GNR e PSP querem "combater qualquer tipo de comportamento discriminatório" nas polícias

A inspetora-geral da Administração Interna, o comandante-geral da GNR e o inspetor nacional da PSP manifestaram hoje "a vontade veemente de combater qualquer tipo de comportamento discriminatório" nas polícias.

A inspetora-geral da Administração Interna, Anabela Cabral Ferreira, o comandante da Guarda Nacional Republicana, José Santos Correia, e o inspetor nacional da Polícia de Segurança Pública, Pedro Clemente, estiveram hoje à tarde reunidos para analisarem o plano elaborado pela Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) para prevenir qualquer forma de discriminação nas polícias.

O encontro surgiu duas semanas depois de uma reportagem de um consórcio português de jornalismo de investigação, que inclui jornalistas, advogados e académicos, ter dado conta que alegadamente quase 600 membros da PSP e GNR, a maioria no ativo, usam as redes sociais para violar a lei ao escreverem mensagens racistas e que incitam ao ódio.

“Os presentes reiteraram a vontade veemente de combater qualquer tipo de comportamento discriminatório”, refere a IGAI, numa nota enviada à Lusa após o encontro.

A IGAI refere que na reunião foi feito um ponto de situação à execução do Plano de Prevenção de Manifestações de Discriminação nas Forças e Serviços de Segurança, que existe desde 2020 nas polícias, e equacionadas “ações concretas a implementar, por cada uma das forças de segurança e em conjunto com a IGAI”, mas não especifica quais.

Segundo a IGAI, a reunião pretendeu reforçar a “prevenção e combate a condutas discriminatórias, incitadoras do ódio e violência contra determinadas pessoas ou difusoras de juízos ofensivos da honra ou consideração de terceiros por parte de agentes das forças de segurança, na sequência das recentes notícias sobre a alegada publicação de mensagens daquele teor nas redes sociais”.

Segundo a investigação jornalística, mais de três mil publicações de militares da GNR e agentes da PSP, nos últimos anos, mostram que as redes sociais são usadas para fazer o que a Lei e os regulamentos internos proíbem.

Após a divulgação do trabalho jornalístico, o Governo anunciou que a IGAI vai abrir um inquérito a este caso das publicações nas redes sociais.

Também a Procuradoria-Geral da República já anunciou que abriu um inquérito a estas publicações.

O Plano de Prevenção de Manifestações de Discriminação nas Forças e nos Serviços de Segurança está em vigor desde março de 2020 e é coordenado pela IGAI, vinculando a GNR e a PSP a reforçar áreas de intervenção desde o recrutamento à formação, da interação dos membros das forças de segurança com os demais cidadãos e entre si (incluindo nas redes sociais), da promoção da imagem da polícia e comunicação, aos mecanismos preventivos e de monitorização das manifestações de discriminação.

O plano, que define áreas de intervenção, objetivos e medidas específicas relacionadas com o recrutamento, formação e atuação dos elementos das forças de segurança, foi elaborado pela IGAI e contou com a participação da Guarda Nacional Republicana (GNR), da Polícia de Segurança Pública (PSP) e do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).

Cada força de segurança tem ainda oficiais de direitos humanos que estão em funções desde abril 2021 e têm estado a trabalhar com a IGAI na monitorização do plano de prevenção de discriminação nas polícias.

https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/igai-gnr-e-psp-querem-combater-qualquer-tipo-de-comportamento-discriminatorio-nas-policias
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Mensagem por иuησ Sex 02 Dez 2022, 20:45


VIVER PARA CONTAR 1 de dezembro 2022 às 12:42

Polícias, factos e opiniões

JOSÉ ANTÓNIO SARAIVA | jose.a.saraiva@newsplex.pt

Ser simpatizante do Chega ou admirador de Salazar é um crime? O Chega é um partido legal, com representação parlamentar, e Salazar foi considerado «o maior português de todos os tempos» num famoso trabalho da RTP. É estranho que algumas centenas de polícias, entre dezenas de milhares, simpatizem com o Chega e admirem Salazar? Estranho seria o contrário.

Tem causado grande escândalo uma reportagem assinada por um consórcio de jornalistas, designado Setenta e Quatro, que andou a pesquisar durante meses nas redes sociais e descobriu trocas de mensagens entre agentes da PSP ou militares da GNR de caráter racista, xenófobo e homofóbico.

O escândalo tem razão de ser: algumas mensagens são chocantes. Mas devo confessar que nunca tive grande simpatia por pessoas como Rui Pinto, Assange, etc., que andam no espaço virtual a devassar mensagens e documentos privados com o objetivo de denunciar publicamente os seus autores.

Num Estado democrático, todos os cidadãos têm direito à sua privacidade. As escutas telefónicas ou entradas em grupos fechados de redes como o Facebook só podem ser executadas com ordem judicial. Portanto, o que aqueles jornalistas fizeram foi objetivamente um crime.

Argumentar-se-á que foi um crime com ‘boas intenções’, visando prestar um serviço público. Um crime cometido por uma ‘boa causa’. Ora, esse argumento não é válido. A partir do momento em que se aceite que pessoas ou grupos vasculhem sem controlo as redes sociais, ou ouçam as conversas privadas, todas as arbitrariedades são possíveis.

Multiplicar-se-ão as chantagens, os ataques a alvos específicos ou as investigações politicamente orientadas – como esta, aliás.

Um dos jornalistas mais conhecidos deste consórcio é Pedro Coelho, que fez reportagens de denúncia do Chega em pleno período eleitoral, o que é deontologicamente inapropriado. Pedro Coelho acha-se um combatente antifascista, um justiceiro, e considera que tudo o que faça nesse sentido é legítimo. Ora, não é.

Podendo este trabalho ser honesto, tem uma orientação clara: denunciar a infiltração de organizações de extrema-direita nas forças policiais. De facto, as referências à extrema-direita são constantes, mas não existe uma única alusão a infiltrações da extrema-esquerda. E sabemos que as há.

As referências à simpatia de agentes da PSP e da GNR pelo partido Chega ou por Oliveira Salazar são abundantes, mas não há uma única alusão a simpatias pelo PCP, pelo BE, por Lenine ou por Estaline. E na reportagem são constantemente usados os termos «racista», «xenófobo» e «homofóbico», que remetem para o vocabulário da esquerda.

Assim, estamos no limiar daquilo que deixa de ser jornalismo para ser propaganda. Isto é, daquilo que faz parte da guerra política, atacando um setor do leque político contra outro.

Mas vamos ao que interessa. A troca de mensagens racistas, xenófobas etc. entre polícias deve conduzir à sua expulsão?

Algumas frases que li são deploráveis, execráveis, mesmo. Mas as redes sociais estão cheias de opiniões e frases execráveis. E os polícias não são feitos por encomenda. São pessoas como as outras, recrutadas nesta sociedade, com as suas virtudes e defeitos. Com a agravante de atuarem muitas vezes em circunstâncias-limite, em bairros e zonas problemáticas, o que potenciará reações mais extremistas.

A somar a isto, as forças da ordem são muitas vezes desconsideradas e são efetivamente mal pagas. Não têm o reconhecimento que acham que deveriam ter por parte do Estado, em termos sociais e materiais, o que explicará também algumas atitudes de revolta.

O cerne da questão, porém, é este: um cidadão pode ser perseguido pelas suas opiniões? E a minha resposta é: não pode.

Há que distinguir entre ações e opiniões. Cada um pode ter as opiniões que quiser, e ninguém tem nada com isso. O problema é quando passa das opiniões para as ações criminosas. Um polícia que seja bom profissional, que cumpra as orientações das chefias, que respeite as normas de conduta, não tem que ser perseguido pelas suas opiniões.

Ser simpatizante do Chega ou admirador de Salazar é um crime? O Chega é um partido legal, com representação parlamentar, e Salazar foi considerado «o maior português de todos os tempos» num famoso trabalho da RTP. É estranho que algumas centenas de polícias, entre dezenas de milhares, simpatizem com o Chega e admirem Salazar? Estranho seria o contrário.

Dirão alguns – e a reportagem passa essa ideia – que esses agentes deveriam ser afastados do serviço para prevenir males maiores. Ou seja: ainda não cometeram crimes, mas podem vir a cometer. Sucede que este é o argumento de todos os regimes autoritários. Salazar perseguia os comunistas para evitar ‘males maiores’. Podiam não ter cometido qualquer crime, mas eram potencialmente perigosos pelas suas opiniões e, como tal, deveriam ser presos ou afastados da administração pública. Perseguir pessoas por delito de opinião abre a porta a todos os atentados à liberdade.

Aliás, quando um juiz autoriza uma escuta telefónica ou uma violação de correspondência não é para apurar as opiniões do suspeito – é para ajudar ao apuramento de eventuais atos criminosos que tenha cometido. O facto de uma pessoa ter determinadas opiniões não faz dela um delinquente.

Acho muito bem que qualquer ação criminosa praticada por um agente da autoridade seja exemplarmente punida, até com uma pena acrescida. Os polícias existem para fazer cumprir a lei e não para a subverter. E o facto de usarem armas dá-lhes maiores responsabilidades.

Mas perseguir polícias com base nas suas opiniões é altamente discutível. E aplaudir a devassa das redes sociais, seja de polícias ou de quaisquer outros cidadãos, sob o pretexto de ameaças «fascistas» ou outras, não é aceitável.

Qualquer dia estamos a fazer justiça à margem da lei pelas nossas próprias mãos.
https://sol.sapo.pt/artigo/786875/policias-factos-e-opinioes
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