O que deve saber sobre a limpeza de terrenos

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Em Curso O que deve saber sobre a limpeza de terrenos

Mensagem por dragao Ter 06 Mar 2018, 21:13

A que é que a lei obriga?
Tem de se cortar as ervas, os arbustos e as árvores de forma a criar faixas de protecção em torno das habitações, aglomerados e estradas. Estas regras são apenas para meios rurais e florestais.


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O que é que tem de se fazer?
É obrigatório proceder à gestão de combustíveis numa faixa mínima de 50 metros à volta das edificações ou instalações (habitações, estaleiros, armazéns, oficinas, fábricas ou outros equipamentos) inseridas nos espaços rurais ou florestais. Esta faixa é medida a partir da alvenaria exterior da edificação. Este ano, o prazo para esta gestão de combustível termina a 15 de Março. No caso dos aglomerados populacionais (10 ou mais casas) esta faixa de protecção estende-se até aos 100 metros. Ao longo das estradas deverá haver uma faixa de gestão de combustível de 10 metros ou superior para cada um dos lados. Todas as árvores, incluindo os pinheiros e eucaliptos, devem estar desramadas em 50% da sua altura até que atinjam os oito metros.

Quem tem de a pôr em prática?
Todos os proprietários, arrendatários, usufrutuários e entidades que detenham terrenos em áreas rurais. São igualmente obrigados a fazer a gestão de combustível as entidades responsáveis pelas redes rodoviária, ferroviário, eléctrica, entre outras, bem como as entidades gestoras de áreas industriais, parques de campismo, centros logísticos e outras infra-estruturas. Até 31 de Maio de 2018, as câmaras municipais garantem a realização destes trabalhos nas zonas onde os proprietários não o fizeram.

Tem de se cortar tudo junto às casas?
A gestão de combustível não significa eliminar toda a vegetação. Uma árvore, desde que podada e localizada a uma distância entre copas de quatro metros de outras árvores e a mais de cinco metros da casa, pode ser mantida. Devem ser evitadas espécies de elevada inflamabilidade na área envolvente da casa. 

E as árvores de fruto?
As árvores de fruto não têm de ser cortadas, se estiverem inseridas numa área agrícola ou num jardim. 

E quanto a pinheiro e eucaliptos perto de casas?
Os pinheiros ou os eucaliptos que estejam a menos de cinco metros das casas têm de ser cortados. Numa distância de 50 metros, a contar das casas, as copas dos pinheiros ou dos eucaliptos devem estar afastadas 10 metros umas das outras, pelo que poderá ser necessários cortar alguns pinheiros ou eucaliptos.

Pode-se cortar todo o tipo de árvores?
Existem algumas árvores que são legalmente protegidas, como o sobreiro e a azinheira. Estas árvores só podem ser cortadas com autorização do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). As árvores de interesse público têm também de ser protegidas (consultar http://www2.icnf.pt/portal/florestas/aip).

A fiscalização do cumprimento da lei é igual em todo o país?
Não. Há zonas definidas como prioritárias (ver mapa). Entre 16 de Março e 30 de Abril, serão fiscalizadas os terrenos nas freguesias da primeira prioridade e entre 1 e 31 de Maio, a vigilância incidirá sobre os terrenos nas freguesias de segunda prioridade.

Quais as principais críticas a esta legislação?
O primeiro problema tem a ver com a campanha de sensibilização que induz em erro, levando os proprietários a pensar que têm de cortar todas as árvores em volta das suas casas. Há também dúvidas técnicas sobre o sucesso de algumas medidas, concretamente o afastamento das copas que pode levar a que os matos por baixo sequem mais depressa, alimentando o fogo. Além disso, contesta-se também o afastamento em relação às casas uma vez que o risco reside mais na projecção de faúlhas que entram pelo telhado do que no contacto das árvores com o edificado. Outra das questões levantadas diz respeito à protecção de espécies autóctones, que com esta lei podem ser arrasadas. A limpeza de matos levanta também muitas dúvidas pois há várias espécies, muito importantes para a conservação da natureza, que estão assim também em risco. Alguns arbustos são também fundamentais para outras espécies, pondo em causa alguma da rica biodiversidade do país. Por outro lado, a tendência para pôr o terreno à vista aumenta os problemas de erosão. Finalmente, muitos proprietários não têm nem meios nem dinheiro para fazer estas limpezas e não há capacidade instalada no país para dar resposta à obrigatoriedade de limpeza de tantos hectares.


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Em Curso Re: O que deve saber sobre a limpeza de terrenos

Mensagem por dragao Ter 06 Mar 2018, 21:52

DECRETO-LEI N.º 124/2006 - DIÁRIO DA REPÚBLICA N.º 123/2006, SÉRIE I-A DE 2006-06-28
Medidas e acções a desenvolver no âmbito do Sistema Nacional de Defesa da Floresta contra Incêndios
Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas

Lei n.º 76/2017 - Diário da República n.º 158/2017, Série I de 2017-08-17
Ato da Série I
Assembleia da República
Altera o Sistema Nacional de Defesa da Floresta contra Incêndios, procedendo à quinta alteração ao Decreto-Lei n.º 124/2006, de 28 de junho

LEI N.º 114/2017 - DIÁRIO DA REPÚBLICA N.º 249/2017, SÉRIE I DE 2017-12-29 (art.º 153.º)

Decreto-Lei n.º 10/2018 - Diário da República n.º 32/2018, Série I de 2018-02-14
Ato da Série I
Administração Interna
Clarifica os critérios aplicáveis à gestão de combustível no âmbito do Sistema Nacional de Defesa da Floresta contra Incêndios

Despacho n.º 1913/2018 - Diário da República n.º 38/2018, Série II de 2018-02-22 114748878
Administração Interna e Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural - Gabinetes dos Secretários de Estado da Proteção Civil e das Florestas e do Desenvolvimento Rural
Determinação das áreas prioritárias para a fiscalização da gestão de combustível
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Em Curso Re: O que deve saber sobre a limpeza de terrenos

Mensagem por Gif Ter 06 Mar 2018, 22:46

O outro problema é a questão das datas, vejamos, todas as limpezas tem que ser feitas antes da primavera, aqui tudo bem no que toca a prevenção de incêndios, tendo em conta o risco causado pela maquinaria que no outono/inverno é menor.
No entanto a limpeza de matos, nesta altura, vai levar a que na primavera as plantas anuais cresçam, e quando chegar o verão vão estar secas, e o risco de incêndio é maior que as plantas plurianuais.

Se a limpeza for feita no final da primavera, quando chegarmos ao verão, não há condições de humidade suficientes para as plantas nascerem, e temos no período de maior risco de incêndio ausência de vegetação.
Com a medida que está a ser implementada, vamos ter no verão autênticos rastilhos ....
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Em Curso Re: O que deve saber sobre a limpeza de terrenos

Mensagem por Guarda que anda à linha Qua 07 Mar 2018, 12:37

Realmente é verdade, as datas não têm muita lógica. Se em abril é frequente chover (abril águas mil) e as pessoas têm de limpar o terreno até 15 de março, e ainda por cima este março está a ser mais chuvoso que o previsto, se em abril voltar a chover outra vez a vegetação/mato já está crescida outra vez.
O mais tardar, esta obrigação deveria de ser até ao fim de abril.
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Em Curso Re: O que deve saber sobre a limpeza de terrenos

Mensagem por Gif Qua 07 Mar 2018, 13:53

Fim de maio, pois ainda não há temperaturas de risco e as plantas estão em fase de crescimento, após maio já deixa de haver condições de desenvolvimento das plantas.

Mas sabemos bem, que daqui a um ano haverá ainda muita área de 1ª prioridade deste ano por fazer
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Em Curso Re: O que deve saber sobre a limpeza de terrenos

Mensagem por Gif Qua 14 Mar 2018, 13:29

Código:
[quote]


A Guarda Nacional Republicana garante que vai aplicar multas a proprietários que não tenham os terrenos limpos a partir de dia 16 de março.

A GNR garante que não pode dar qualquer tipo de período de tolerância a quem passar o dia 15 de março sem limpar os terrenos perto das casas, tal como manda a lei.
Segundo a TSF, a explicação é dada num balanço das 4 mil chamadas recebidos no último mês sobre este tema, no número SOS Ambiente e Território. O coronel Vítor Caeiro, do Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente da GNR, afirma que as dúvidas têm sido tantas que fizeram triplicar as chamadas.
A distância que tem de estar limpa a partir das casas e a distância que tem de separar as árvores dos terrenos são as dúvidas mais comuns. Contudo, há uma que se destaca: os proprietários querem saber se o prazo de 15 de março pode ser alargado, e o porquê de terem recebido um email da Autoridade Tributária a apelar à limpeza dos terrenos.

De acordo com o que está escrito na lei, o prazo tem de ser cumprido, não havendo espaço para qualquer período de tolerância depois do dia 15 de março. Vítor Caeiro diz à TSF que a lei é clara.
Além disso, refere, só com a abertura do auto de contraordenação é que as autarquias podem, depois, ser aviadas da falta de limpeza e planear se avançam ou não para a limpeza coerciva, substituindo-se ao proprietário.
O que está na lei é o que temos de cumprir, reforçado com o que está também previsto no Orçamento do Estado que diz que tem mesmo de ser limpo até 15 de março”, esclarece o responsável da GNR.

“Governo não quer passar multas, quer terrenos limpos”

O secretário de Estado da Proteção Civil José Artur Neves disse à TSF que o prazo para limpar os terrenos não vai ser alterado e que acredita na capacidade das forças de segurança em aplicar a lei de forma dinâmica, pedido tolerância à GNR.
“Nem sequer tem muito interesse estar a perceber se a data é prolongada ou não, o que importa é que todos sintam esta responsabilidade de se cumprir, até ao final de maio, esta obrigação”, defendeu Artur Neves, no Fórum TSF.
O secretário de Estado admite que o objetivo do Governo não é “aplicar coimas”, mas sim fazer com que “se cumpra esta obrigação.
Também este domingo, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, admitiu que o prazo para limpar o mato e cortar árvores em redor das casas, que termina na quinta-feira, “pressupõe alguma elasticidade“. No entanto, a GNR contraria.
ZAP //


Agora gostava de fazer uma pergunta, quem vai andar no terreno tem formação especifica em floresta, e em árvores? Está capacitado para avaliar uma árvore? Tendo em conta a sua espécie, formação e estado vegetativo?

Só em portugal é que se podam árvores por decreto, e não pelas condições das árvores.
Vai um exemplo: Conforme está na legislação pode coexistir árvores a menos de 5 metros das casas, e que as copas tem que estar a mais de 5 metros das casas entre outras exepções. Mas e se a arvore não tiver condições para cumprir a lei?
Vai-se abater uma árvore desnecessariamente, só porque a copa está a menos de 5 metros da casa?
Vai-se asfixiar a árvore para que a copa esteja acima dessa cota, só para cumprir a lei?
Vai-se por a árvore em risco de queda por desequilibro para cumprir a lei?
Ou quem vai fazer a fiscalização tem a formação e a sensibilidade para fazer a avaliação da arvore para saber se está em condições de cumprir ou não a lei?

Cheira-me que vão aumentar os processos nos tribunais......
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Em Curso Re: O que deve saber sobre a limpeza de terrenos

Mensagem por Guarda que anda à linha Qua 14 Mar 2018, 17:47

Então e as árvores/arbustos que se plantam nos quintais das casas para fazer ecrã de proteção às casas para a privacidades dos seus proprietários, assim como as que se plantam para provocar sombra no verão para que por exemplo se gaste menos dinheiro com a refrigeração das casas através do uso excessivo dos aparelhos de ar condicionado, também vão ter que ser todas abatidas ao efetivo?
Quer dizer: de acordo com vários ser pensantes, há volta das casas, vamos passar a ter pequenas ilhas expostas ao sol e às temperaturas altíssimas no verão, quais pequenos desertos ao contrário dos pequenos oásis que entretanto existiam.
Isto é o que dá ter pessoas a fazer leis, que pensam que as couves, as alfaces etc., as galinhas, os frangos e os coelhos que se compram nos supermercados nascem nos supermercados.
Deixaram engordar o negócio do eucalipto e das celuloses (o "nosso" petróleo verde, diziam alguns iluminados na década de 80 do séc passado) de forma selvagem, desenfreada e desordenada, que até em tempo de seca está a provocar a morte do rio Tejo. E agora para compensar vão bater em tudo o que mexe, como se essa situação fosse reparar o mal da politica errática do eucalipto.
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Em Curso Re: O que deve saber sobre a limpeza de terrenos

Mensagem por Gif Qua 14 Mar 2018, 22:55

Isso ainda é o ao menos, o pior é que estas leis deviam servir para proteger as arvores e a floresta, em vez de as tornar o alvo a abater.
Ora vejamos, se um proprietario de uma mata que não tem rendimentos para a limpar, e de certo que não é durante a noite de hoje que ela vai ficar limpa por obra e graça do espírito santo. Amanha leva com uma multa porque não a limpou. Se antes não tinha dinheiro para a limpar, depois da multa muito menos.
Para não pagar mais custas qual é a solução que tem para limpar? A mais barata de todas, o fosforo, ou isqueiro.

Quem conseguir limpar este ano, para o ano que vem, irá ter muito mais para limpar, pois a exigência de áreas entre copas de árvores maiores irá promover o crescimento de infestantes por haver menos sombras. Se tiver capacidade financeira para andar a limpar todos os anos, tudo bem, e se não tiver? lá volta a recorrer ao fosforo ou ao isqueiro, só para não pagar multas por não limpar.

Acabar com o pinheiro bravo e o eucalipto, também não é solução, porque para alem destas poucas são as que dão rentabilidade a médio prazo para se conseguir fazer a manutenção das áreas florestais.
O sobreiro leva 40 anos ou mais a dar rentabilidade, a azinheira iden, o castanheiro precisa de mão de obra para a apanha da castanha, que ao produtor vale tostões. Se a oferta for muita, ainda baixa mais o preço, ao ponto de nem sequer compensar apanhar.
As restantes espécies florestais, excluindo o pinheiro manso pouca rentabilidade dão a médio prazo, por isso a nossa floresta tem muito poucas opções que sejam suficientemente rentáveis para garantir a sua boa manutenção.

O que é realmente necessário é que haja uma dinamização dos recursos florestais para que seja uma área atrativa a investimentos e com alguma rentabilidade que garanta a sustentabilidade da floresta.
Se o mercado das biomassas estivesse mais valorizado, haveria mais uma fonte de rendimento que suportava as limpezas das matas, mas com as biomassas ao preço da uva mijona é um optimo incentivo ao abandono dos sobrantes no interior das matas.

Com políticas que só prejudicam, não se vai longe.

Alem das limpezas das matas, também devia ser feita uma valente limpeza aos tachos e panelas que ganham com a existência de fogos, talvez esta medida seja mais eficaz que o abate de árvores desmedido e sem razões que o justifiquem.
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Em Curso Re: O que deve saber sobre a limpeza de terrenos

Mensagem por Gif Sáb 17 Mar 2018, 14:30

Até árvores protegidas estão a ser abatidas por proprietários com medo das multas

Por
ZAP
-
14 Março, 2018




O prazo para a limpeza de terrenos nos espaços rurais e florestais termina esta quinta-feira, 15 de Março, mas é “uma missão impossível”. Uma ideia que muitos partilham numa altura em que surgem vários alertas sobre o abate indiscriminado de árvores, incluindo de espécies protegidas, que pode acabar por fazer mais mal à floresta do que bem.

“Sobreiros mandados cortar pela GNR, carvalhos ceifados a eito, árvores de fruto abatidas, empresas que cobram o dobro para fazer a limpeza de terrenos.” Este é o cenário descrito pela revista Visão, numa altura em que estamos perto do fim do prazo para a limpeza de terrenos nos espaços rurais e florestais.
Nesta quinta-feira, 15 de Março, termina a data limite para cumprir a lei. E este ano as multas são a dobrar para quem não a cumprir: 10 mil euros para pessoas singulares e até 120 mil euros para pessoas colectivas.
Todavia, cumprir a lei é “uma missão impossível”, conforme refere o presidente da Câmara Municipal de Viseu, Almeida Henriques, na SIC Notícias. O autarca nota que o Governo “não pode ter a pretensão de fazer em dois meses aquilo que não se fez nos últimos 40 anos”.

“Tem de haver sensatez, se não vamos multar o país todo“, alerta também Paulo Lucas, da associação ambientalista Zero, em declarações à Visão.
Nesse mesmo sentido fala o presidente da Associação Florestal do Vale do Sousa, Américo Mendes, constatando no Público que “não é mandando a GNR atrás dos proprietários florestais que o problema se resolve”.
“O Estado voltou a cair no velho erro de achar que pode gerir a floresta como se fosse dele”, avisa Américo Mendes, sublinhando que o Governo devia “colocar-se ao lado dos proprietários, dando-lhes incentivos em vez de mandar a polícia atrás deles“.
Nesta altura, Associações e proprietários contam que o Governo estenda o prazo para concretizar a limpeza. Até porque há casos complicados, com terrenos a pertencerem a várias pessoas e alguns que não estão registados.
O presidente da Câmara Municipal de Viseu também lembra que há muitas “pessoas idosas que já não têm possibilidade” de limpar os seus terrenos e são “carenciadas”, não tendo dinheiro para pagar a quem o faça. Até porque, nesta altura, aqueles que se dedicam à limpeza dos terrenos estão a aproveitar o aproximar do fim do prazo e as ameaças de multa para inflacionar os preços.
A Visão refere, nomeadamente, o caso de um proprietário em Leiria, que pagou 750 euros pela limpeza de um terreno que outrora lhe custaria “entre 400 a 450 euros“.

Abate indiscriminado de árvores

A pressa em cumprir a lei está também a levar à ocorrência de muitas “atrocidades”, com o corte de “árvores de jardim, de fruto e espécies protegidas que não precisavam de ter sido abatidas”, como explica o presidente da Associação Nacional de Empresas Florestais, Agrícolas e do Ambiente, Pedro Serra Ramos.
O ambientalista da Quercus Domingos Patacho fala no corte de sobreiros, uma “espécie protegida que só pode ser abatida com autorização do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas”, como explica a revista, e de “uma plantação de carvalhos que foi cortada a eito”.
Estes casos reflectem como a “cura” programada pelo Governo para a floresta pode acabar, afinal, por se revelar mais prejudicial do que benéfica. Isto porque o abate indiscriminado de árvores poderá acabar por contribuir para “o processo erosivo dos solos que poderá aparecer se entretanto começar a chover”, como explica no Público o presidente da Anefa.
E “quem cortou a erva agora vai ter erva novamente quando começar a época de fogos”, constata ainda Pedro Serra Ramos.

Ministro assegura que não vai haver caça à multa

O ministro da Agricultura, Capoulas Santos, garantiu, em declarações à Antena 1, que não vai haver uma “caça à multa” e assumiu que será imposto um prazo de tolerância de dois meses e meio, ou seja, até 31 de Maio, àqueles que manifestem intenção de limpar as suas propriedades.
Capoulas Santos também admitiu efectuar alterações ao decreto-lei de acesso ao financiamento, para permitir às autarquias suportarem a limpeza dos terrenos florestais, constata a RTP.
Os municípios contestam o facto de o decreto prever apenas o financiamento a 100% para as áreas consideradas prioritárias. O ministro diz que é preciso encontrar “um ponto de equilíbrio” entre as partes.
ZAP //


O estado arranjou aqui uma embrulhada.... Se há quem tenha abatido árvores protegidas, como é? vai ser multado por as abater?
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Em Curso Re: O que deve saber sobre a limpeza de terrenos

Mensagem por vmgonçalves Dom 18 Mar 2018, 12:10

Existe outro caso mais "caricato". Pinheiros. Copas a 05 metros das paredes exteriores das edificações, 10 metros entre copas. Vai de cortar tudo o que seja pinheiro perto das edificações. existino poucos compradores, a árvore ainda não tem diametro para ser cortada ou por outro motivo qualquer, transporta-se para casa para a lareira.Vai de multa por não ter comunicado ao ICNF o seu corte e preenchimento do respectivo manifesto para o transporte ( nemátodo do pinheiro oblige).
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Em Curso Re: O que deve saber sobre a limpeza de terrenos

Mensagem por Gif Ter 20 Mar 2018, 13:26

Pois, e o mais engraçado será se alguem podar o pinheiro para garantir que cumpra o decreto, ou seja, que a copa esteja a cima dos 5 metros da casa (apesar da legislação previr exepções) e a árvore cair porque ficou desequilibrada, causando mais danos que se não tivesse sido podada? de quem é a responsabilidade?.
Ou o meu caso, que tenho um projecto florestal aprovado e em fase de execução, que tenho compromissos que tem que ser cumpridos em relação ao numero de árvores plantadas, que de 20 anos de compromisso ainda vai a meio?
Tenho um polinizador (árvore adulta que serve para a polinização das outras árvores) que é fundamental para o sucesso da exploração, alem de ser uma fonte de rendimento, que já foi podada ao máximo que as condições da planta permitem  e que continuam fora dos limites impostos pelo decreto?

Esta lei, é o inicio do fim da floresta por privados que tenham menos conhecimentos que acabam por ser enganados por uma má explicação por parte do estado daquilo que se pretende, que é a redução de combustível e não de árvores, são coisas totalmente diferentes....
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Em Curso Re: O que deve saber sobre a limpeza de terrenos

Mensagem por Gif Ter 20 Mar 2018, 20:04

https://www.jn.pt/local/noticias/coimbra/penacova/interior/homem-morreu-atingido-por-arvore-que-cortava-em-penacova-9193565.html


Já começam os problemas....
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Em Curso Re: O que deve saber sobre a limpeza de terrenos

Mensagem por Gif Qua 21 Mar 2018, 19:23

Floresta
Oferta e procura de incêndios
Luís Aguiar-Conraria

Parece que se anda a discutir qual a melhor forma de forçar uma população velha e pobre a limpar os seus terrenos sem qualquer interesse económico, desgastando-a e empobrecendo-a ainda mais.

De vez em quando, o país fica chocado por saber que a lei da procura e da oferta também existe em Portugal. A última vez que tal aconteceu foi quando se descobriu que os preços das limpezas de terrenos tinham disparado este ano. O aumento da procura foi assegurado pelo braço fiscal do governo, a Autoridade Tributária, ao enviar um email a todos os contribuintes, ameaçando com coimas quem não cumprisse uma lei de limpeza das matas, que, pelos vistos, existe desde 2006 e nunca foi cumprida. A mensagem, como quase todas as mensagens da AT, foi suficientemente assustadora para deixar muita gente preocupada. Naturalmente, a procura por serviços de limpeza de mato disparou e, evidentemente, as empresas prestadoras deste serviço aumentaram os preços. Está nos manuais. Esperar que o efeito fosse diferente equivale a achar que a lei da gravidade pode ser suspensa.
Percebe-se a reacção do Governo. Depois das catástrofes do ano passado, é necessário fazer tudo para evitar um novo Verão quente. Como já antes escrevi, não percebo nada de combate aos incêndios e também nada percebo sobre prevenção de incêndios. Assim, não vou discutir sobre a eficácia e a necessidade destas medidas que estão a ser tomadas. No entanto — presunção e água benta, cada qual toma a que quer —, acho que sei um pouco de economia. E, se entendo esta pressão do governo como medida de curto-prazo, é bom ter em atenção que a longo prazo é insustentável.
Se a lei existe desde 2006 e desde 2006 que é violada de forma generalizada, então, provavelmente, a lei é desajustada da realidade económica portuguesa. E, quando vejo reportagens sobre o assunto, reforço esta ideia. Vejo uma população envelhecida e, também, empobrecida a ter de fazer uma limpeza a terrenos que pouco valem. A não ser que isto se enquadre na ideia de uma reforma activa, não sei muito bem o que pensar quando vejo homens nos seus 70 e até 80 anos a fazer o que mais parecem trabalhos forçados. O que neste momento está a ser feito não é muito diferente de lançar um imposto especial sobre as camadas mais desfavorecidas da população. É quase iníquo.
Repito, não discuto se esta estratégia é adequada ou não para evitar uma catástrofe em 2018. Mas, insisto, a não ser que se pretenda usar a força repressiva da Autoridade Tributária todos os anos para aterrorizar populações, esta estratégia não é viável por muito tempo. O mato cresce independentemente da vontade dos proprietários. E cresce muito depressa. Uma vez limpo, rapidamente será necessário limpá-lo novamente. É uma gestão permanente com custos que não desaparecem. Limpar um terreno não é como remodelar ou recuperar um prédio, que, uma vez feita a intervenção, só décadas depois necessita de outra. Uma solução para ser viável a longo prazo tem de ser economicamente vantajosa para os proprietários.
Tornar a floresta portuguesa rentável, ou, melhor dizendo, a sua gestão rentável, pode passar por facilitar a vida aos resineiros, por estimular o uso de lareiras e recuperadores de calor para aquecimento de casas, pela construção de centrais eléctricas de biomassa, etc. Há uns tempos, em conversa com Henrique Pereira dos Santos, lembrámo-nos de que as cantinas que dependem do Estado (cantinas escolares, prisões, hospitais, etc.) podiam incluir na sua ementa alimentos amigos da floresta, como queijo de cabra, frutos silvestres, cabrito, etc.
Não sei nem qual o impacto nem qual a viabilidade de cada uma das sugestões que fiz no parágrafo anterior. Não sei quais sobreviveriam a uma análise de custo-benefício. Mas do que não tenho dúvidas é que eram estes assuntos que deviam estar a ser discutidos. Encontrar formas para que a lei da oferta e da procura funcione a favor de uma floresta bem gerida.
Em vez disso, parece que se anda a discutir qual a melhor forma de forçar uma população velha e pobre a limpar os seus terrenos sem qualquer interesse económico, desgastando-a e empobrecendo-a ainda mais. A manter-se a actual política, a principal consequência de longo prazo será a de haver muita gente a entregar os seus terrenos ao Estado. Se é para isso, mais vale avançar já com expropriações. É da forma que mais rapidamente se atinge o mesmo resultado.

__________________________________________________________________________________

Será que com tantas vozes contra, com relatórios de especialistas a indicar que a nova lei dos fogos está cheia de falhas e sem fundamento técnico e cientifico, o governo não perde o orgulho e muda de vez a lei para algo com pés e cabeça?
É que assim está a fazer um cavalo de tróia, que acima de tudo vai prejudicar mais ainda a população.

Já há novidades do terreno? ja andam a verificar se os proprietários limparam os terrenos? o que é que têm visto até agora?
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Em Curso Re: O que deve saber sobre a limpeza de terrenos

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